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Crepúsculo do Homem - Ensaio de uma Crítica da Pós-Modernidade (VII)

O ateísmo é um atributo recorrente nos traços de carácter do pós-moderno: não se crê mais em Deus (ou em deuses), pelo menos da forma como até ao despontar do Iluminismo as pessoas acreditavam. Nos últimos séculos, Deus abandonou a sua posição central no mundo para passar a ser apenas uma possível entidade presente no mesmo; Deus como alicerce de todas as ações humanas é agora coisa do passado.

 

Crepúsculo do Homem (VII)

 

O ateísmo do povo foi-lhe implementado pelos iluministas e pelos liberais — pois as pessoas comuns são incapazes de formular a sua própria visão do mundo, obedecem sempre às instituições de pensamento dominantes. Os sábios dos séculos XVIII e XIX atiraram Deus para o esquecimento, e não ofereceram ao povo nada nem ninguém que substitua o divino. O que falta hoje é um novo ideal para almejar, após todos os ideais divinos e terrenos terem entrado em falência. A razão, a ciência, o nacionalismo e o comunismo, entre outros pontos centralizadores das ações humanas, prometiam uma felicidade universal que não foi alcançada. Após este falhanço, não se crê mais nesses velhos ideais — e já nem sequer se tem a força psicológica necessária para criar novos horizontes que atribuam um sentido a toda a existência humana. A civilização ocidental encontra-se à deriva num mar de lodo, enquanto o navio apodrece rapidamente e a tripulação perde toda a esperança numa salvação.

 

Os crentes encontram-se numa situação menos desesperante daquela em que se encontram os ateus, embora vivam de ilusões. O que quero dizer com isto é que viver de acordo com as ditaduras de uma determinada crença aumenta a perceção de valoração própria, fruto da grandeza da crença, enquanto os ateus não possuem um bem maior que levante a sua autoestima e que lhes atribua um lugar determinado no mundo, um modo de estar e o que esperar do futuro. Aqui pouco importa a verdade ou a mentira de uma crença: o aumento da densidade do solo em que uma vida pisa é o verdadeiro critério da utilidade de uma crença. Repare-se no vazio dos ateus: vivem num edifício onde as paredes, o teto e o chão carecem de propósito e de sentido; a todos os momentos o edifício ameaça desabar em cima das suas cabeças.

 

Já dizia Napoleão que «a religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos». Ora, os pobres hoje são demasiado fracos para empreender tal ação, mas o crescente pedido de direitos e mais direitos dá razão ao Imperador dos Franceses: as camadas inferiores da sociedade perderam a modéstia, devido à ausência de perceção do seu lugar no mundo e à perda de contentamento com «o pão nosso de cada dia». O ateísmo pretende abolir superstições que consideram decadentes para o homem, mas o resultado desta pretensão é aquilo que combatem em primeiro lugar: o aumento da decadência, que no processo arrasta consigo toda a humanidade rumo aos subterrâneos da História.

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